Autodeterminação eleitoral em risco: o impacto dos vieses algoritmicos no sufragio
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Faculdade de Direito de Vitoria
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A presente tese examinou os impactos da curadoria algorítmica, das heurísticas cognitivas e dos
vieses sobre a autodeterminação eleitoral, individual e coletiva, com especial ênfase ao contexto
do sufrágio. O estudo se fundamentou na crescente centralidade dos algoritmos na organização
e filtragem de informações, que transformaram profundamente o acesso à informação e
influenciaram decisões essenciais à cidadania. Destacou-se que, embora a era digital tivesse
prometido democratizar o acesso à informação, a centralização dos fluxos informacionais nas
mãos de grandes corporações tecnológicas subverteu essa promessa, comprometendo a
formação de uma opinião pública crítica e plural. A relevância do tema decorreu da constatação
de que a curadoria algorítmica não apenas organizou os fluxos informacionais, como moldou
percepções e comportamentos de maneira sutil, contínua e frequentemente imperceptível,
afetando diretamente a integridade do sufrágio. Ao manipular a forma como os indivíduos
recebem e processam informações, esses sistemas restringem o acesso a perspectivas
divergentes, reforçando a polarização e erodindo as condições epistêmicas para o dissenso
democrático. A lacuna de pesquisa abordada na tese residiu na insuficiência de estudos jurídicos
que investigassem, de forma abrangente, o impacto dessas práticas sobre a autodeterminação e
o processo democrático. A hipótese central da pesquisa consistiu na possibilidade de que a
curadoria algorítmica, ao explorar heurísticas cognitivas e vieses preexistentes, possa atuar
como vetor de manipulação informacional sutil e persistente, restringindo a autodeterminação
dos eleitores e limitando sua capacidade de participação plena e consciente no processo
democrático. Para isso, a metodologia combinou análise jurídica, o estudo de eventos eleitorais
paradigmáticos – como as eleições nos Estados Unidos (2016, 2020 e 2024), no Brasil (2018 e
2022), na Índia (2019), no Reino Unido (2019), na Alemanha (2021) e na França (2022) – e
uma revisão interdisciplinar sobre o papel dos algoritmos na disseminação de desinformação.
A abordagem adotada buscou integrar perspectivas teóricas e empíricas para oferecer uma
análise aprofundada e ao mesmo tempo contemporânea das dinâmicas de poder informacional.
Os principais resultados demonstraram que a curadoria algorítmica intensifica a manipulação
informacional ao explorar vulnerabilidades cognitivas, confinando os indivíduos em bolhas
ideológicas e amplificando narrativas polarizadoras. Tais dinâmicas reduzem a capacidade
deliberativa dos cidadãos, comprometendo sua liberdade de escolha e a autenticidade do juízo
político, comprometendo a legitimidade do sufrágio e fragilizando as bases do regime
democrático. Além disso, o estudo evidenciou que a desinformação algorítmica, ao manipular
percepções, ultrapassa a simples exploração de predisposições humanas, configurando-se como
um mecanismo de controle que reduz a autonomia individual e coletiva. Concluiu-se que a
mitigação dos impactos da curadoria algorítmica, questão urgente, exige a implementação de
políticas públicas voltadas à promoção da transparência informacional, da pluralidade de ideias
e do acesso equitativo a informações de qualidade. Propôs-se, ainda, a ampliação do conceito
jurídico de desinformação, para abarcar a manipulação algorítmica, por considerá-la uma tática
que atenta contra os princípios fundamentais da democracia. A tese também ressaltou a
importância de um marco regulatório robusto, que assegure a proteção da autodeterminação no
ambiente digital e preserve a integridade dos processos eleitorais. Por fim, a pesquisa contribuiu
para o campo jurídico ao oferecer uma análise detalhada dos efeitos das tecnologias digitais no
sufrágio, destacando a necessidade de integrar a proteção da autodeterminação ao arcabouço
normativo. Tais medidas foram consideras essenciais para fortalecer a democracia em face dos
desafios impostos pela era digital
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GUZANSKY, Bruno Jose Calmon Du Pin Tristão. Autodeterminação eleitoral em risco: o impacto dos vieses algoritmicos no sufrágio. Orientador: José Luis Bolzan de Morais. 2025. 428 f. Tese (Doutorado em Direitos e Garantias Fundamentais) - Programa de Pós-Graduação em Direitos e Garantias Fundamentais, Faculdade de Direito de Vitória, Vitória, 2025.
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