A invisibilidade epistemológica de conhecimentos não convencionais e sua apropriação pelo direito na ótica dos direitos fundamentais: uma análise à partir das cartas psicografadas e a racionalidade jurídica brasileira
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Faculdade de Direito de Vitoria
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A modernidade ocidental se fundou sobre os pilares do conhecimento científico e do direito moderno
estatal, de modo que enquanto o primeiro buscou informar os critérios de verdade e de falsidade para
as explicações sobre a vida, o segundo, estabeleceu a forma de organização dos Estados modernos
e a regulação social. Coube, assim, à ciência moderna a primazia da verdade e o papel de
protagonismo epistemológico como única forma de conhecimento credível, de modo que, todo
conhecimento que não se pautava nos métodos científicos e em seus preceitos era rechaçado ou
invisibilizado, como se sequer fosse existente, tendo o direito, influenciado pelo positivismo
cientificista, seguido pelo mesmo caminho, ou seja, para ser válido deveria ser emanado pelo próprio
Estado moderno, caso contrário, seria relegado à invalidade, à ilegalidade, ou caracterizado como
“não-direito”. A racionalidade forjada a partir da modernidade, então, calcada nesses dois pilares e
totalizando-se como única realidade possível, mostrou-se altamente excludente invisibilizando as
formas de saber não convencionais que a não reproduzissem. Neste sentido, o presente estudo, a
partir da metodologia da “sociologia das ausências”, de Boaventura de Sousa Santos, procura
verificar se a manutenção da invisibilidade epistemológica que paira sobre os conhecimentos não
convencionais, a partir da sua não incorporação ao direito, tem o condão de mitigar direitos
fundamentais. Para isso, o trabalho foi dividido em quatro capítulos que se preocupam em:
apresentar como se dará a aplicação metodológica utilizada na investigação; analisar o paradigma da
modernidade, apresentando sua crise e seus aspectos epistemológicos, observando, ainda, o sinais
do paradigma emergente; discutir o papel dos direitos fundamentais no novo paradigma, abordandose
a necessidade de construção de um pluralismo jurídico; bem como, examinar a apropriação dos
conhecimentos não convencionais pelo direito a partir de um objeto específico, qual seja, as cartas
psicografadas, para, ao final, se demonstrar a demanda por um paradigma complexo, capaz de
reconhecer, efetivar e materializar direitos humanos agora ressignificados a partir da pluralização do
direito dogmático, sem o qual não se conseguirá promover a desconstrução da invisibilidade
epistemológica moderna, o que acarretará a mitigação dos direitos fundamentais dos sujeitos
marginalizados pelo modus instrumental da racionalidade moderna ocidental.
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Citation
COSTA, Lucas Kaiser. A invisibilidade epistemológica de conhecimentos não convencionais e sua apropriação pelo direito na ótica dos direitos fundamentais: uma análise à partir das cartas psicografadas e a racionalidade jurídica brasileira. 2015. 194 f. Dissertação (Mestrado em Direitos e Garantias Fundamentais) - Programa de Pós-Graduação em Direitos e Garantias Fundamentais, Faculdade de Direito de Vitória, Vitória, 2015.
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