A operação Lava Jato e a reprodução simbólica de desigualdades no Brasil
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Faculdade de Direito de Vitoria
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O pensamento social brasileiro majoritário defende, de forma inconsistente, que o patrimonialismo seria o elemento fundamental da formação do Estado brasileiro. Segundo essa tese, defendida por autores como Sérgio Buarque de Holanda, Raymundo Faoro e Roberto DaMatta, a formação do Estado brasileiro foi marcada pela confusão entre Estado e Família, de modo que a apropriação patrimonialista do Estado, na qual o interesse pessoal é privilegiado em detrimento do interesse público. Desse modo, o Brasil seria uma sociedade atrasada devido a influencia monárquica portuguesa em nossa formação. Diante disso, a Operação Lava Jato é utilizada como um mecanismo para difundir ainda mais a tese do patrimonialismo, permitindo que a pauta neoliberal ganhe força, legitimando privatizações e a ―corrupção real‖ da evasão fiscal, com a disseminação do discurso de que ―imposto é roubo‖. Ao disseminar a tese do patrimonialismo, a Operação Lava Jato contribui para mascarar que a desigualdade é o verdadeiro elemento fundamental da formação social brasileira, como bem coloca Jessé de Souza. Com isso, a Lava Jato é utilizada como mecanismo para a reprodução simbólica no Brasil, 10º país mais desigual do mundo segundo Relatório da ONU.
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