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Expansões e exclusões da/na cidade: um estudo da segregação espacial da comunidade de pescadores de Itapoã, em Vila Velha/ES

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Faculdade de Direito de Vitoria

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A cidade é considerada com um valor de uso complexo o que permite diminuir o tempo de rotação do capital e gerar a mais valia. Por este motivo, os agentes capitalistas se preocupam com o local em que seus estabelecimentos vão se localizados, para se beneficiar do sobrelucro da localização, disputando o acesso mais rentável da urbanização. Inseridos nessa disputa pelo solo está o mercado imobiliário, que se beneficia das melhorias realizadas pelo poder publico nas cidades para que o preço do solo aumento. Essa valorização do solo decorrente da demanda capitalista por ele faz com que haja um encarecimento dos centros urbanos e que a população da classe baixa seja deslocada para as periferias, onde o preço da terra ainda é menor, criando o padrão de urbanização chamado de centro-periferia. O padrão de urbanização do país nem sempre foi esse. Ele passou a se configurar na medida em que os centros urbanos do país queriam fazer frente às cidades europeias, para dar ideia de modernidade e deixar de refletir o atraso econômico. Foram realizadas diversas obras de infraestrutura e higienização que encareceram os centros, fazendo com que a população mais carente fosse para a área periférica, escassa de boa infraestrutura. Em relação à Vila Velha, sua urbanização decorreu do esgotamento da cidade de Vitória, que também seguiu o padrão de higienização mencionado e passou a contar com o metro quadrado mais caro da região, forçando a classe baixa a ir para outras regiões da Grande Vitória, como Vila Velha. Esta passou a receber investimentos mais significativos em 1979-1989. Entretanto, a construção civil se manteve para a classe mais alta, dando continuidade na construção da faixa litorânea do município. Essa região é altamente seletiva, devido ao preço que a terra adquiriu, expulsando os moradores da comunidade de pescadores que residem no bairro há mais de 50 anos. Essa comunidade também sofre com o preconceito dos outros moradores do bairro, que tem um poder aquisitivo maior. Os pescadores tem uma relação de pertencimento com o local que representa sua cultura e forma de vida.

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