A ilusão da autonomia: para onde irão os direitos sociais no capitalismo de plataforma?
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Faculdade de Direito de Vitoria
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A reestruturação do capitalismo no fim do século XX, impulsionada pelas tecnologias
da informação e comunicação e pelo colapso do modelo econômico então vigente deu
origem ao capitalismo de plataforma. Esse processo foi marcado pela
desregulamentação, privatização, globalização e flexibilização, resultando no
surgimento das plataformas digitais. Sob a ilusão da autonomia e da flexibilidade, esse
modelo de negócios tem promovido a reconfiguração das relações de trabalho. No
âmbito das plataformas digitais de serviços, como a Uber, os trabalhadores são
designados como "parceiros" e "autônomos", sendo privados de direitos trabalhistas
e garantias sociais. Essa realidade suscita sérias questões quanto à violação da
dignidade humana em detrimento de interesses econômicos. Diante das
transformações ocorridas no modo de organização do trabalho, esta dissertação
propõe o seguinte problema de pesquisa: o discurso das plataformas digitais de
serviços, centrado na sua função empresarial de tecnologia e na autonomia dos
motoristas, justifica o não enquadramento dos trabalhadores na proteção social e
celetista? Para responder a essa questão, estabelecem-se os seguintes objetivos:
contextualizar a fase informacional no desenvolvimento do capitalismo, surgida na
sociedade informacional, em contraste com as fases anteriores do modo de produção;
explicar, a partir do exemplo da Uber, o modo que as plataformas digitais de serviços,
enquanto técnicas sociais específicas da fase informacional do capitalismo, utilizam
as tecnologias de informação e comunicação junto a elementos discursivos para
promover a reconfiguração das relações de trabalho; e avaliar, a partir do
funcionamento da Uber e da indefinição jurisprudencial quanto à proteção do
trabalhador “uberizado”, a solidez do discurso das plataformas digitais, fundado em
sua função empresarial de desenvolvimento de tecnologia e promoção da autonomia,
frente à exclusão da aplicação da legislação trabalhista diante da realidade vivida por
esses trabalhadores. A pesquisa adota o método dedutivo, partindo de conceitos
gerais estabelecidos pelo Direito do Trabalho - em especial os pressupostos legais de
caracterização da relação de emprego - e das teorias contemporâneas sobre o
trabalho em plataformas digitais. A partir dessas premissas, busca-se verificar se a
realidade concreta dos trabalhadores das plataformas digitais caracteriza relação de
emprego ou, ao contrário, confirma a autonomia propagada em seu discurso. A
análise da reestruturação promovida pelo capitalismo no trabalho humano; o uso de
elementos discursivos fundados em autonomia, liberdade e flexibilidade; e da
aplicação das tecnologias de informação e comunicação, por meio dos algoritmos que
dirigem, monitoram e controlam a prestação dos serviços, conduziu à conclusão de
que a retórica das plataformas - fundada em sua função empresarial de tecnologia e
na autonomia dos motoristas - não justifica o não enquadramento desses
trabalhadores na proteção social e celetista. Pelo contrário, tal retórica promove a sua
exclusão de direitos trabalhistas e sociais previstos na Constituição Federal de 1988.
Em razão da indefinição jurisprudencial quanto à proteção do trabalhador “uberizado”,
esse cenário tem gerado tensões significativas entre a Justiça do Trabalho e o
Supremo Tribunal Federal. A Suprema Corte, ao privilegiar os princípios da livre
iniciativa e livre concorrência, tem comprometido a efetividade do princípio da
dignidade humana. Dentro dessa perspectiva, a presente dissertação analisa a
dignidade da pessoa humana como direito fundamental, examinando de que forma as
plataformas digitais de serviços têm utilizado as tecnologias da informação e
comunicação para gerir e controlar o trabalho dos motoristas, bem como as
consequências decorrentes desse modelo nas relações de trabalho contemporâneas,
notadamente o não enquadramento dos trabalhadores na proteção social celetista. O
estudo insere-se na área de concentração Direitos e Garantias Fundamentais do
Programa de Pós Graduação em Direito da Faculdade de Direito de Vitória (FDV), na
linha de pesquisa Democracia, Cidadania e Direitos Fundamentais, demonstrando
pela aderência aos principais temas pesquisados e desenvolvidos pelo Professor
Orientador, José Luis Bolzan de Morais, especialmente no âmbito do Grupo de
Pesquisa que lidera, Estado & Constituição. Além disso, alinha-se ao Objetivo de
Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 8 da ONU, voltado ao trabalho decente e
crescimento econômico
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PINTO, Paula Dalla Bernardina Folador Seixas. A ilusão da autonomia: para onde irão os direitos sociais no capitalismo de plataforma? Orientador: José Luis Bolzan de Morais. 2025. 117 f. Dissertação (Mestrado em Direitos e Garantias Fundamentais) - Programa de Pós-Graduação em Direitos e Garantias Fundamentais, Faculdade de Direito de Vitória, Vitória, 2025.
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