A classificação dos terrenos de marinha para viabilização de sua função social no Estado democrático de direito brasileiro
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Faculdade de Direito de Vitoria
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Analisa a literatura sobre os terrenos de marinha, que há mais de dois séculos são objeto de
insatisfação política e social, sendo escassos os estudos sobre essa propriedade da União.
Verifica a necessidade de construir uma solução jurídica para o problema, tendo por hipótese
que somente a partir da classificação dos terrenos de marinha, de conformidade com sua real e
plúrima destinação fática e jurídica, é que será possível a identificação, no caso concreto, da
função social dessa área geográfica, de propriedade da União. A pesquisa na Internet, nos
primeiros 300 sites indicados pelo site http://www.google.com.br, em 02/03/2004, com as
palavras “terrenos de marinha”, identifica em notícias e reportagens, artigos científicos (sobre
interesses ambientais, sobre localização da linha de preamar média de 1831) em atas,
discursos, legislações, informes sobre projetos de leis, seminários e ações políticas diversas, a
presença conflito de interesses entre o interesse arrecadatório da União e interesses relativos
a: segurança da moradia familiar, preservação ambiental de áreas de preservação permanente
(mangues e restingas), planejamento urbano, autonomia municipal, segurança jurídica dos
registros públicos etc. Identifica, mediante pesquisa realizada nos sites da Câmara dos
Deputados (http://camara.gov.br) e do Senado Federal (http://senado.gov.br) com as palavraschave
“terrenos de marinha”, “taxas, ocupação, aforamento”, como os interesses em conflitos
estão sendo considerados pelos representantes do povo no Congresso Nacional. Colaciona
projetos de lei sintonizados com os interesses identificados na primeira pesquisa. Avalia que,
embora os problemas relativos aos terrenos de marinha estejam na pauta do Congresso
Nacional, estes estão longe da solução. Estuda a evolução da propriedade pública, percebendo
um processo de sacralização da propriedade estatal, em sentido inverso ao da publicização da
propriedade privada. Aponta a inexistência na doutrina de instrumentos que obriguem a
propriedade privada do Estado ao exercício de sua função social. Afirma que a propriedade do
Estado deve submeter-se aos ditames da função social da propriedade, que deve ser
identificada de forma sistemática e em consonância com os princípios axiológicos do Estado
Democrático de Direito Brasileiro. Propõe, para viabilizar a identificação da função social
destas áreas e compelir a União ao exercício da sua propriedade de conformidade com a
função social, um novo entendimento sobre a natureza jurídica destas áreas. Ao contrário do
que a grande maioria da doutrina afirma, os terrenos de marinha não são bens dominicais. Os
terrenos de marinha consistem em uma área geográfica onde estão contidos diversos tipos de
bens públicos. Terrenos de marinha de uso comum do povo (ruas, praças, parques, áreas
ambientais etc.), terrenos de marinha de uso especial (portos, aeroportos, fortificações
militares assim como todos os destinados ao serviço público); terrenos de marinha dominicais
(áreas de ocupação consolidada, não afetadas a qualquer função pública), assim como terrenos
de marinha ocupados por remanescentes de quilombos e populações indígenas. Assim,
classificando adequadamente os terrenos de marinha e identificando os valores
constitucionalmente tutelados e as necessidades e interesses públicos predominantes em cada
um deles, viabiliza a identificação de sua função social, submetendo-os ao projeto
constitucional da Carta que instituiu o Estado Democrático de Direito Brasileiro.
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Citation
GAZOLA, Patrícia Marques. A classificação dos terrenos de marinha para viabilização de sua função social no Estado democrático de direito brasileiro. 2004. 190 f. Dissertação (Mestrado em Direitos e Garantias Fundamentais) - Programa de Pós-Graduação em Direitos e Garantias Fundamentais, Faculdade de Direito de Vitória, Vitória, 2004.
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