Imposição da magreza como ideal de beleza na era da do capitalismo transestético : a violação do direito fundamental das mulheres à igualdade
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Faculdade de Direito de Vitoria
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No contexto em que o poder produz saberes e efeitos positivos no nível do desejo
de aperfeiçoamento do corpo, esta pesquisa tem como objetivo compreender em
que medida as assimetrias patriarcais de poder, analisadas a partir das categorias
analíticas de Michel Foucault, violam o direito fundamental à igualdade e à não
discriminação das mulheres por meio da consolidação da magreza como ideal de
beleza na era do capitalismo transestético ocidental. Muito embora tanto homens
quanto mulheres persigam, atualmente, o ideal de um corpo magro, integra a
hipótese desta pesquisa a suspeita de que a imposição do padrão estético da
magreza, em razão das suas transversalidades com o patriarcado, o capitalismo e o
mito da beleza, afeta a mulher de forma asseverada. Esta pesquisa parte da
existência de um sistema/sexo gênero, cunhado por Rubin, para compreender as
relações assimétricas de poder exercidas pelo homem sobre a mulher na sociedade
patriarcal. As resistências promovidas pelas três ondas dos movimentos feministas
são apresentadas como processo de construção das teorias feministas e de
reconhecimento da igualdade como direito fundamental da mulher. A disciplina, a
biopolítica e a governamentalidade, sob a perspectiva de Michel Foucault, são
indispensáveis para a compreensão da imposição da magreza por se tratar de
fenômeno cujo início está inscrito na era de inserção do corpo no campo do político.
Igualmente importante, a filosofia de Gilles Lipovetsky é adota para a compreensão
da condução do fenômeno até a hipermodernidade. A estratégia dominação
masculina por meio da conexão do ser mulher à categoria beleza, a qual, no atual
paradigma da utopia light, significa magreza, é tomada, conforme compreendido por
Naomi Wolf, como a mais significativa forma de resistência aos avanços
conquistados pelos movimentos feministas. Asseverada pela vigência do capitalismo
transestético, um modelo de acumulação do capital baseado na ética estética de
transformação da vida, a imposição do padrão estético da magreza às mulheres
revela-se como violação dupla do seu direito fundamental à igualdade. Ao final da
pesquisa, um recorte das estratégias de marketing digital da marca Forever 21 na
rede social Instagram exemplifica estratégias neoliberais hipermodernas de
biopolítica. Para tanto adota-se a metodologia do materialismo histórico-dialético
marxista. A investigação aponta para compreensão de que a imposição social da
magreza como ideal de beleza à mulher é incompatível com a construção de uma
vida em sociedade orientada pelos valores da dignidade da pessoa humana e dos
direitos e garantias fundamentais.
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RAMOS, Ana Carolina Rocha de Souza. Imposição da magreza como ideal de beleza na era do capitalismo transestético: a violação do direito fundamental das mulheres à igualdade. Orientadora: Elda Coelho de Azevedo Bussinguer. 2018. 144 f. Dissertação (Mestrado em Direitos e Garantias Fundamentais) - Programa de Pós-Graduação em Direitos e Garantias Fundamentais, Faculdade de Direito de Vitória, Vitória, 2018.
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