Torto arado e corpo curvado: por um constitucionalismo costurado à terra como condição de efetividade do direito fundamental ao território quilombola
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Faculdade de Direito de Vitoria
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Esta dissertação analisa as razões que explicam a (in)efetividade, por parte do Estado
brasileiro, de garantir o direito fundamental ao território, como cumprimento do
compromisso de reparação histórica com os quilombolas assumido na Constituição
Federal de 1988, relacionando tal situação com as narrativas oficiais na História do
Brasil. Prepondera no Brasil uma discursividade institucional que reproduz uma
imagem do quilombo petrificada no passado, deturpada por estereótipos racistas e
comprometida apenas com um modelo exclusivista, individual e negocial de território.
Essa perspectiva é constatada ao se analisarem, de forma crítica, os expedientes de
que o Estado se utiliza para fazer com que essa discursividade racista e assimétrica
consiga, concretamente, potencializar a situação de vulnerabilidade das comunidades
quilombolas no Brasil. Assim, afigura-se importante situar a colonialidade como face
constitutiva da Modernidade, de modo a descortinar a discursividade institucional
ideologizada e identificar as tecnologias modernas contemporâneas que representam
hoje o assassínio histórico continuado dos quilombolas. A desconfiguração do
discurso alienante possibilitará emergir, a partir do relato dos oprimidos, a experiência
e trajetória histórica dos quilombos, que, ao articular as lutas por direitos à
territorialidade, alarga a concepção de direitos como o de propriedade, liberdade e
igualdade, contribuindo para o dimensionamento de um constitucionalismo
efetivamente brasileiro. Para tanto, vale-se do método materialista histórico-dialético,
em razão de sua adequação para confrontar a realidade concreta com as concepções
idealistas que não condizem com o real. Como referencial teórico, adota Walter
Benjamin e Achille Mbembe, friccionados aos autores brasileiros Beatriz Nascimento
e Abdias Nascimento, com as contribuições da obra literária “Torto Arado”, de Itamar
Vieira Júnior, importante aporte metodológico para discutir as agências negras
quilombolas a partir das narrativas sobre a formação dos vínculos territoriais
construídos em volta das relações familiares, da relação com a terra e por intermédio
da memória. A partir dessas bases, observa-se, no Brasil, a existência de um Estado
Necropolítico, que transtorna a implementação da política pública territorial inserta no
art. 68 do ADCT e de outras, tão necessárias à essas comunidades. É preciso
entender quem são os quilombolas no Brasil, tanto nas experiências de sofrimento
quanto no desenvolvimento de sua ancestralidade. Os quilombos abrem condições
indispensáveis para se construir um projeto emancipador brasileiro no presente,
situado historicamente e comprometido com o enfrentamento das feridas do passado.
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OLIVEIRA, Júlio Tácio Andrade Lopes de. Torto arado e corpo curvado: por um constitucionalismo costurado à terra como condição de efetividade do direito fundamental ao território quilombola. Orientador: Nelson Camatta Moreira. 2023. 158 f. Dissertação (Mestrado em Direitos e Garantias Fundamentais) - Programa de Pós-Graduação em Direitos e Garantias Fundamentais, Faculdade de Direito de Vitória, Vitória, 2023.
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