Habitus patriarcal e violência obstétrica: biologização do social, controle patriarcal dos corpos e violação dos direitos fundamentais das grávidas, parturientes e puérperas
Loading...
Date
Authors
Orientador
Membros de banca
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
Faculdade de Direito de Vitoria
DOI
Abstract
A violência obstétrica, prática comum nos hospitais e maternidades brasileiros, é toda
a ação que atenta contra a dignidade e integridade da mulher durante a gestação,
parto e puerpério. A presente pesquisa buscou responder se, com base nas
concepções teóricas de Bourdieu acerca do habitus e da construção de Saffioti sobre
o sistema patriarcal-racista-capitalista de dominação-exploração, é possível afirmar
que o habitus patriarcal prevalece à ciência e às evidências científicas na prática
obstétrica brasileira? Para tanto, contextualizou-se a incidência da violência obstétrica
no país, considerando o índice de mortalidade materna e as sequelas da má
assistência ao parto, nos setores público e privado; Buscou-se correlacionar as teorias
de Bourdieu e Saffioti acerca do habitus, dominação masculina e o sistema patriarcal racista-capitalista de dominação-exploração, com a cultura de violência obstétrica no
país; Analisou-se, sob a ótica da bioética feminista, como o habitus patriarcal se
vuncula à própria história da medicina do parto, na construção da biopolítica
foucaultiana e, inclusive no controle dos corpos especialmente vulnerabilizados; e, por
fim, fora analisado se as práticas assistenciais desatualizadas, aplicadas
rotineiramente nos partos das brasileiras, se fundamentam em ciência ou no habitus
patriarcal. O trabalho observou que muitas das práticas de assistência ao parto não
possuem eficácia científica e que, portanto, o habitus patriarcal impera sobre a ciência.
As brasileiras são rotineiramente submetidas a intervenções que as mutilam e
machucam não em razão do sucesso do parto, mas por serem mulheres e, portanto,
terem a reprodução como sua principal função, custe o que custar a seu próprio corpo.
A violência obstétrica é ainda mais comum contra as gestantes mais vulneráveis -
pretas e pobres -, uma vez que são enxergadas como reprodutoras inferiores, por que
são dominadas e exploradas pelo racismo e capitalismo, respectivamente
Description
Citation
GOMES, Isabella Grobério. Habitus patriarcal e violência obstétrica: biologização do social, controle patriarcal dos corpos e violação dos direitos fundamentais das grávidas, parturientes e puérperas. Orientador: Elda Coelho de Azevedo Bussinguer. 2021. 93 f. Dissertação (Mestrado em Direitos e Garantias Fundamentais) - Programa de Pós-Graduação em Direitos e Garantias Fundamentais, Faculdade de Direito de Vitória, Vitória, 2021.
Collections
Endorsement
Review
Supplemented By
Referenced By
Rights and licensing
Acesso Aberto
